segunda-feira, 28 de maio de 2012

Nada de viver como bombeiro

Eu participava de um debate em um canal de TV quando o entrevistador dirigiu-me uma pergunta: “Dr Shapiro, por que tantos gerentes são ineficazes?” Minha resposta imediata foi: “Porque são bombeiros!”

Eu me surpreendi com a rapidez com que minhas palavras saíram. Mas a ideia era clara como a luz do sol na minha mente. É a mais pura verdade!

Gerentes ineficazes não têm tempo para pensar, nem para planejar táticas. Quando você é um gerente bombeiro, você não lidera coisa nenhuma. Só apaga incêndios. Você não decide mais em que direção sua equipe está indo. O incêndio é que decide. Ele impera sobre a sua vida. Você pensa que está controlando-o, mas não. É o incêndio que o controla.

O que é um incêndio numa empresa? É qualquer problema que se deflagra de surpresa  e exige tempo, atenção e imaginação.

Em certo nível, o incêndio é normal em qualquer organização. Nas empresas desorganizadas  ele é o dia a dia, tomando conta da vida de todos. E este é o indicador: quanto mais incêndios acontecem por unidade de tempo, mais a empresa está à deriva: menos organizada, menos produtiva e menos lucrativa. Ela se torna um lugar estressante e danoso.

Os incêndios trazem consigo a perda do senso de oportunidade. Eles cegam as pessoas para as possibilidades.

Um gerente eficaz lidera sua equipe do presente para o futuro. Para ele, um incêndio só é relevante quando está no caminho de um objetivo. Dependendo da natureza, ele nem precisa apagar o fogo. Simplesmente se desvia porque tem um alvo mais importante a atingir no futuro – isto é que lhe interessa.




Dirijo-me a você, agora. Quer eficiência? Deseja eficácia? Não deixe os incêndios ditarem o ritmo do seu trabalho. Estabeleça objetivos claros junto de sua equipe. Depois, siga esses objetivos. Dedique-se a influenciar o time a se envolver ao máximo com estas metas.

Viver e trabalhar  sem incêndios  é quase impossível, todos sabem.  Mas entenda, e não esqueça, que seu antídoto é planejamento e persistência em chegar aos objetivos.


Fonte: Blog HSM
28/05/2012

Mudança de paradigma

Empresas querem reverter a imagem de que a mão de obra latino-americana é de baixa qualidade. Postura reflete nos resultados do GPTW 2012

Por estarem mais preocupadas com a competitividade, as empresas latino-americanas querem mudar a percepção geral de que nossa mão de obra é de baixa qualidade. É com esta frase que Ruy Shiozawa, CEO do Great Place to Work (GPTW) no Brasil, abre a reportagem da edição 92 de HSM Management que traz os resultados do estudo GPTW 2012.

Tatiane Tiemi Shirazawa, diretora de Marketing e Relacionamento da GPTW, o Brasil historicamente sempre foi considerado um país em desenvolvimento. “Recentemente, estamos nos holofotes mundiais, por conta do bom desempenho da nossa economia, mas a visão construída ao longo dos anos sobre o Brasil ainda precisa ser adequada à realidade atual”, opina.

No caso do McDonald´s, uma das empresas que figuram no ranking da GPTW, a mão de obra brasileira é extremamente valorizada. De acordo com Ana Apolaro, diretora de Recursos Humanos da Arcos Dourados, empresa que administra a marca no País, a instituição possui um excelente padrão de treinamento operacional em terras brasileiras. “O Brasil é modelo de operação para os demais países onde estamos presentes”, conta.

Mesmo assim, Ana Apolaro avalia que o Brasil sempre enfrentou dificuldades com o assunto qualificação, por ser visto como um país que investe pouco em educação. Assim, o grande desafio de Recursos Humanos é incentivar as pessoas para que continuem aprimorando e desenvolvendo seus conhecimentos e habilidades. “É importante que os profissionais de RH identifiquem as áreas e posições corretas para receber estas pessoas e proporcionar a elas o autoconhecimento, para que apliquem seus talentos em sua plenitude”, destaca a executiva da Arcos Dourados.


O papel do RH

Em um cenário de globalização e alta competitividade, o RH das organizações tem o importante papel de contribuir para a mudança da percepção mundial sobre a qualificação da mão de obra nacional. Para Tatiane, da GPTW, o caminho para a mudança de paradigma é construir bons ambientes de trabalho. “Uma prática comum que temos observado são processos de contratação mais elaborados, nos quais avaliam competências técnicas e alinhamento aos valores da empresa. Há ainda um investimento grande em treinamento técnico-comportamental para preparar as pessoas para a gestão de pessoas”, completa.

O McDonald’s  busca a atração e retenção de talentos, acreditando que dessa forma contribui para os resultados da organização e ao mesmo tempo comprova que está reunindo mão de obra nacional altamente qualificada. “Trabalhamos muito para nos manter como uma das melhores e maiores empregadoras do país. Para isto, investimos no capital humano. Nosso objetivo é oferecer treinamento, autoconhecimento, desenvolvimento e plano de carreira – tudo isso somado a um clima organizacional favorável”, revela Ana Apolaro.


Novo cenário latino-americano

Não foi só o Brasil a descobrir que ter pessoas mais felizes, orgulhosas de trabalhar na empresa, traz resultados. Colômbia e Peru também estão entre os mais bem representados no ranking. “A aceitação por parte das companhias da América Latina é imensa. As empresas da região aderiram antes da maioria das da Europa, inclusive”, conclui o CEO mundial do Great Place to Work, o brasileiro José Tolovi Jr.


Fonte: Portal HSM
28/05/2012

domingo, 27 de maio de 2012

Inovação reversa está na moda?

Em recente entrevista à revista HSM, Tarek Farahat, presidente da Procter & Gamble no Brasil, contou que no Egito antigo os obeliscos que serviam como sinalizadores de templos religiosos eram construídos a partir de pedras já existentes – que eram esculpidas para atender as necessidades da nova obra.

E foi inspirado nesse conceito que ele delineou a estratégia de inovação reversa da P&G (quando ideias inovadoras são desenvolvidas primeiramente em países emergentes para depois serem levadas a mercados desenvolvidos), que por aqui tem o nome de ‘A estratégia do Obelisco’.


A criação da Pampers Básica

Farahat conta que no ano 2000, apesar do povo brasileiro assumir que gostava da qualidade das fraldas Pampers (produzidas pela Procter & Gamble) muitas vezes optava por outra marca na hora da compra principalmente pelo quesito financeiro.

Pensando em reverter esse cenário, ele e sua equipe foram às ruas para entender o que desejavam os consumidores de fraldas, e descobriram que o sonho da maioria dos pais era que as fraldas mantivessem seus filhos secos durante todo o período noturno do sono.

Assim, a equipe da P&G pegou a fralda original como modelo e a desconstruiu, tirando partes que não contribuíam para absorção e eliminando itens que representavam custo sem benefício direto da maior absorção e criou a Pampers Básica, com preço menor e maior tempo de absorção.

“Foi um enorme sucesso, porque o consumidor imediatamente sentiu a diferença em relação às outras marcas: com a Pampers Básica o bebê dorme 12 horas – e os pais conseguem dormir também e trabalhar no dia seguinte. Nosso negócio triplicou, e dois anos depois assumimos a liderança nesse mercado”, conta.

Assim, a P&G conseguiu atender uma das principais responsabilidades das empresas no que diz respeito à inovação reversa na visão de seu próprio idealizador, o indiano Vijay Govindarajan (especialista em estratégia e inovação e um dos 50 pensadores mais influentes em gestão do mundo), pois ela olhou para os problemas de seus clientes e então buscou soluções inovadoras.


Colocando a inovação reversa em prática

A história da Pampers é apenas uma maneira de ilustrar como a inovação reversa pode trazer benefícios para todos os envolvidos (organização, clientes e planeta). Segundo Govindarajan, as vantagens dessa prática não param por aí. No entanto, além de pensar nos problemas dos clientes é preciso ainda focar-se nas necessidades de quem vai comprar de você (e não apenas nos produtos já prontos) e, talvez até principalmente, ter humildade para reconhecer as falhas de seus produtos e serviços e, assim, estar apto para buscar recursos para a inovação.

O especialista acrescenta ainda a importância de aliar à inovação reversa o conceito de inovação aberta, em que clientes e pessoas de fora da organização possam ajudar no desenvolvimento das ideias.

O sucesso dessa prática se deve justamente a esses benefícios que ela traz. Penetração maior em países em desenvolvimento (potenciais gigantes no longo prazo, em que sempre vale a pena investir), oportunidade de novos negócios e ideias que não surgiriam em lugares em que tudo parece mais bem planejado.


Fonte: Blog HSM
27/05/2012

sábado, 26 de maio de 2012

Carreira e aposentadoria: fim ou recomeço?

Há dois momentos cruciais na vida: o primeiro é quando nascemos. O segundo é quando descobrimos o motivo pelo qual viemos ao mundo e, a partir daí, enfrentamos o desafio de traçar contínuos objetivos e nos posicionar de modo convergente com quem somos e com o que, realmente, queremos até o fim de nossas empreitadas.

No plano de gestão de carreira, com a proximidade da aposentadoria, muitos profissionais sofrem um dilema: definir um norte e tomar a decisão de construir uma nova realidade, ou, viver reféns de um futuro indefinido, convivendo com um fluxo contínuo de preocupações diversas. Muitos registram esse momento como perda de uma condição alcançada e acabam padecendo de grande sofrimento e desgaste emocional.

Esse momento, pensar a aposentadoria, requer uma atenção especial para registrar com maturidade as conquistas alcançadas e planejar o que se deseja como futuro. O convívio integral com a família, a redivisão dos espaços emocionais e físicos, a readequação das disponibilidades financeiras, além de outros aspectos são de fundamental importância e devem ser repactuados.

Independente da configuração, aposentar-se é uma certeza em qualquer trajetória profissional. Se você deseja ter um final de carreira feliz, a melhor maneira de consegui-lo é preparar-se para vivê-lo. Com base nas vivências do coaching, em linha com o plano de futuro dos profissionais, listamos algumas dicas que o ajudarão na construção dessa nova realidade:

• Desde já defina qual a vida que você quer ter quando se aposentar. O seu futuro precisa ser desenhado com requinte de detalhes desde agora. Quanto melhor definido o sonho, mais provável de acontecer. Pessoas previdentes conseguem usufruir melhor quando o futuro, mais cedo do que se espera, torna-se o presente;

• Não economize nos benefícios e alegrias que você espera ter quando da sua aposentadoria. Quanto mais você estiver convencido do quão maravilhoso será esse recomeço, mais propenso a investir nele estará. Trata-se da máxima de “ação e reação”: sua colheita será compatível com seu plantio;

• Na fala de David Oman McKay nenhum sucesso na vida compensa o fracasso no lar. Portanto, Construa elos com sua família. Fale com seu parceiro(a) sobre os conceitos de bem estar e qualidade de vida; conquistar adesão para os investimentos comuns ajuda a fortalecer o propósito e consolidar parcerias;

• Cultive o hábito de poupar e defina o que gostaria de realizar, considerando o valor a ser gasto conforme a idade atual, renda pretendida e objetivos futuros. Disciplina é fundamental. Resista à tentação de dispor desse dinheiro para outros propósitos.

Preparar-se no contexto físico, emocional e financeiro, visualizando as mudanças através de perspectivas positivas, ajudará você a desenvolver as condições necessárias para readaptar-se a essa nova fase. Sua decisão de “como” vivenciar sua nova realidade pautará o sucesso das suas iniciativas. Acredite!


Fonte: Blog HSM
26/05/2012

quarta-feira, 23 de maio de 2012

6 Habilidades dos Pensadores Estratégicos

Pessoal,

O cotidiano de um gerente é cheio de tentações que o atraem para lidar apenas com atividades de curto-prazo ou micro-atividades. Elas  parecem ser mais urgentes e concretas, no entanto, tal atitude pode acarretar vários riscos a perenidade de sua empresa. Em uma economia onde o consumidor é quem possui maior poder de negociação, o acompanhamento da mudança nas necessidades de seus clientes passa a ser vital para a existência da sua empresa. E, cada vez mais, a velocidade das mudanças é maior.

Diante de tal realidade, cresce a importância das  habilidades relacionadas ao pensar estrategicamente. Inspirado em um artigo do professor Paul Schoemaker que li recentemente, apresento seis habilidades que, na minha opinião, os líderes devem desenvolver se quiserem pensar estrategicamente suas empresas:

- Antecipe: Vale a máxima “É melhor previnir do que remediar”. Pensar apenas no cotidiano pode leva-lo a não enxergar movimentações de seus concorrentes o que deixa sua empresa vulnerável para perda de mercado. Nesse sentido, é preciso acompanhar a mudança nas necessidades de seus clientes e como eles utilizam os produtos. Procure olhar de forma conceitual para as necessidades de seus clientes, pois, como diria Peter Drucker, o que seu cliente precisa não é de uma furadeira, mas sim de um furo na parede;

- Pense criticamente: O chamado senso-comum é na maioria das vezes baseado no olhar que as pessoas tem sobre o passado, naquilo que deu certo até agora. Pensar criticamente ajuda você a olhar com mais carinho para dados que são desprezados pela grande maioria. Esses dados fazem com que você comece a enxergar problemas ou soluções futuras ainda na fase de concepção, possibilitando a antecipação e uma melhor preparação para a mudança que está por vir. Procure desafiar crenças e mentalidades atuais, inclusive as suas e, principalmente, não se deixe manipular por PRÉ-CONCEITOS;

- Interprete: Sempre há uma tentação pela solução rápida. Muitas pessoas sentem-se angustiadas porque tem a percepção de que nossas vidas estão muito corridas. Precisamos, desesperadamente, afastarmo-nos um pouco para refletir com calma sobre nossas próprias experiências. Afinal de contas, ninguém entende o significado de suas experiências sem reflexão. Explore diversas opções, dê meia volta e tente outra quando a primeira não funcionar;

- Decida: Não se deixe paralisar pela análise. Vivemos em um mundo cada vez mais complexo e, devido a essa alta complexidade, existem muitas variáveis a serem consideradas em qualquer processo. Nenhuma decisão considerará todas as variáveis e nenhuma decisão conseguirá agradar a todos, mas a ausência de decisão e ação é meio caminho andado para o fracasso de um projeto ou de uma empresa;

- Alinhe: Consenso total é utopia. Também não se deixe levar pela maioria, afinal de contas, como disse em post anterior, se a maioria tivesse razão sempre, nenhuma eleição poderia ser contestada. Isso não significa que você não deva promover o diálogo aberto, mas sim que você deve procurar entender os motivos de cada pessoa que participa do processo do debate de ideias, entender seus vieses e procurar agir de forma integrar os diversos pontos de vista apresentados;

- APRENDA: A mais importante de todas as habilidades. Entenda que o sucesso e, principalmente, o fracasso são fontes abundantes de aprendizado. Utilize o erro como instrumento pedagógico e não como instrumento de punição. Não se trata de tentar para errar e depois aprender, mas sim de tentar e, se errar, aprender com o erro. Não existe inovação sem assumir riscos e assumir riscos é saber que erros podem acontecer, a diferença está em como aprendemos com nossos erros. Nesse sentido, o papel do líder é de criar ambiente propício para que as pessoas sintam-se confiantes para arriscar e orientar os membros da equipe a aprender com os erros cometidos.

Pensar estrategicamente é como se enxergássemos nossas empresas como uma tapeçaria tecida a partir dos fios da reflexão, análise, visão de mundo, colaboração e proatividade, todos unidos pelo fio da integridade social. Afinal de contas, empresas são abstrações. O que vale, de verdade, são as pessoas dentro delas. Empresas são redes interativas, não hierarquias verticais. Empresas são redes sociais tecidas e integradas pelos fios do conhecimento.


@blogdomarcelao


Fonte: Blog HSM
23/05/2012